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Sono do bebê e culpa materna: por que a comparação não ajuda ninguém

Cada bebê tem seu próprio ritmo de sono. Entenda por que a cobrança por uma noite inteira de sono gera culpa sem necessidade e o que pode aliviar.

Por Valéria Regina Silveira · Psicóloga · Criadora do Mamãe IA

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Bebê dormindo no berço com a mão da mãe apoiada na grade, em um quarto com luz baixa.

"Ele já dorme a noite toda?" Poucas perguntas pesam tanto para uma mãe cansada. Quando a resposta é não, logo vem a dúvida: será que estou fazendo algo errado?

Acordar faz parte da fase

Bebês acordam durante a noite por diversos motivos, entre eles fome, desconforto e necessidade de colo e segurança. O padrão de sono muda bastante de criança para criança e também ao longo dos meses, sem um ritmo único que sirva de referência para todas as famílias. Revisões sobre sono infantil mostram que o desenvolvimento do sono está ligado a processos cognitivos e psicomotores próprios de cada bebê, o que ajuda a explicar por que não existe um tempo fixo esperado para que todos os bebês durmam da mesma forma [1]. Não existe um prazo universal para "dormir a noite toda", e isso não é sinal de nada que você tenha feito errado.

De onde vem a culpa

A culpa costuma nascer da comparação. Relatos de bebês que "dormem a noite inteira" circulam muito mais do que as noites picadas vividas por grande parte das famílias. Cansada, qualquer comentário desse tipo pode soar como uma acusação, mesmo quando não é essa a intenção de quem fala.

Dividir a noite também é cuidado

Pesquisas sobre divisão de cuidado no período pós-parto mostram que arranjos em que outros adultos da casa também assumem parte dos cuidados noturnos estão associados a menor sobrecarga e maior bem-estar para a mãe [2]. Isso reforça que lidar com o sono do bebê não precisa, e normalmente não deveria, ser tarefa de uma pessoa só.

O que pode aliviar

  • Divida as noites quando possível, mesmo que seja apenas em alguns dias da semana.
  • Descanse em algum momento do dia sem se cobrar por isso, mesmo que pareça pouco.
  • Troque a pergunta "o que estou fazendo de errado?" por "do que eu preciso hoje para atravessar a noite?".
  • Guarde as dúvidas específicas sobre o sono, a alimentação noturna ou o comportamento do seu bebê para conversar com o pediatra, que conhece a história e o desenvolvimento dessa criança, em vez de se basear em comparações com outros bebês.

Cada família encontra, com tempo e apoio, um jeito possível de atravessar essa fase. Isso não acontece no mesmo ritmo para todo mundo, e está tudo bem que seja assim.

Quando buscar ajuda profissional

Se a privação de sono vier acompanhada de tristeza intensa, irritação constante ou dificuldade de dormir mesmo quando o bebê dorme, converse com um profissional de saúde. Qualquer dúvida sobre o sono ou a saúde do bebê deve ser levada ao pediatra que o acompanha. Em situação de risco, ligue 188 (CVV) ou 192 (SAMU).

Se o que você sente estiver intenso, durar semanas ou houver risco para você ou para o bebê, procure ajuda profissional. Em emergência, ligue 192 (SAMU) ou 188 (CVV). Onde buscar ajuda

Conteúdo informativo. Não substitui avaliação médica, psicológica ou de outro profissional de saúde. Política editorial

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