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Ansiedade no terceiro trimestre: entre a lista que nunca termina e o medo do parto

Nas semanas finais da gestação, é comum que a ansiedade aumente. Entenda por que isso acontece e como conversar com o medo do parto.

Por Valéria Regina Silveira · Psicóloga · Criadora do Mamãe IA

Publicado em

Gestante no fim da gravidez sentada na cama ao lado de uma mala de maternidade meio arrumada, com a mão na barriga.

As semanas finais da gestação costumam ter dois sons ao mesmo tempo: a expectativa de conhecer o bebê e uma lista que nunca termina. Mala, quarto, roupinhas, documentos. E, no fundo de tudo isso, o medo do parto.

Por que a ansiedade aumenta agora

O corpo está mais pesado, o sono fica difícil e a data se aproxima. É natural que a mente tente controlar o que pode, porque o parto em si tem muito de imprevisível. Organizar acalma, até o ponto em que a lista vira mais uma fonte de cobrança do que de preparo.

O medo do parto é uma experiência comum e reconhecida na literatura sobre gestação. Revisões sobre o tema mostram que esse medo tem causas variadas, que vão de experiências anteriores até a falta de informação clara sobre o processo, e que conversar abertamente sobre ele com a equipe de saúde tende a reduzir seu impacto emocional [1]. Nomear o medo não é fraqueza, é parte de se preparar.

A ansiedade perinatal também tem explicação

Pesquisas qualitativas sobre ansiedade e estresse no período perinatal mostram que mulheres grávidas, sobretudo no fim da gestação, relatam sensação de perda de controle sobre o próprio corpo e sobre o que está por vir, o que intensifica pensamentos ansiosos [2]. Entender que esse tipo de ansiedade é frequente, e que existe espaço para falar sobre ela, já ajuda a reduzir o peso de carregá-la em silêncio.

O que de fato precisa estar pronto

Muito menos do que parece. Um lugar seguro para o bebê dormir, algumas roupas, a mala da maternidade e as informações do plano de parto já cobrem o essencial. O resto pode esperar ou ser resolvido por outra pessoa, sem prejuízo para a chegada do bebê.

Para conversar com o medo

  • Leve suas dúvidas sobre o parto para a equipe que acompanha o seu pré-natal.
  • Fale do medo em voz alta com alguém de confiança, ele costuma diminuir quando é colocado em palavras.
  • Reserve um momento do dia sem tarefas, só para respirar e sentir o bebê.
  • Práticas guiadas de respiração podem ajudar a desacelerar antes de dormir.

Quando o medo vem de experiências anteriores

Para mulheres que já passaram por um parto difícil, uma perda gestacional ou alguma experiência traumática relacionada à gravidez, o medo do terceiro trimestre pode vir com mais intensidade. Nesses casos, é especialmente importante conversar com a equipe de saúde sobre essas experiências anteriores, para que o acompanhamento leve em conta essa história e ofereça o suporte adequado.

O papel de quem está por perto

Parceiros, familiares e amigos também podem ajudar bastante nessa fase, simplesmente estando disponíveis para escutar sem minimizar o medo nem insistir que "vai dar tudo certo". Validar o sentimento, sem tentar apagá-lo às pressas, costuma trazer mais alívio do que qualquer tentativa de conserto imediato.

Quando buscar ajuda profissional

Se a ansiedade tirar o sono quase todas as noites, causar crises de falta de ar ou ocupar a maior parte do seu dia, procure seu obstetra ou um profissional de saúde mental. Em emergência, ligue 192 (SAMU).

Se o que você sente estiver intenso, durar semanas ou houver risco para você ou para o bebê, procure ajuda profissional. Em emergência, ligue 192 (SAMU) ou 188 (CVV). Onde buscar ajuda

Conteúdo informativo. Não substitui avaliação médica, psicológica ou de outro profissional de saúde. Política editorial

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